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segunda-feira, março 13, 2006

OS PULPS


A primeira publicação denominada "pulp" surgiu no ano de 1896, quando Frank Monsey editor da revista Argosy, que numa manobra para baratear os custos de produção e atingir um número maior de leitores, passou a utilizar um papel mais barato de qualidade inferior. Com isso, o valor de capa da Argosy passou a menos de 20 centavos de dólar, lembrando que na época o salário médio de um operário americano era de U$ 7,00 e em 1927 a tiragem chegou na casa dos 500.000 exemplares, o que garantiu a publicação da Argosy até 1974.

Frank Monsey foi além, ele lançou a célebre All Story Magazine que em 1912 publicou o conto "Sob as Luas de Marte" de Edgar Rice Burroughs, que pouco tempo depois escreveu "Tarzan dos Macacos".
A forte concorrência do rádio e do cinema colaboraram com a decadência do gênero pulp até seu ressurgimento em publicações temáticas na década de 30, onde a profusão de títulos era enorme: guerra, terror, ficção científica, faroeste e crimes, este últimofoi o que mais gerou títulos e alavancou nomes como Dashiell Hammett autor de "O Falcão Maltês".
Esse período foi marcado como uma era de violência nos Estados Unidos, o crime organizado dominava as ruas e era diariamente manchete nos jornais. Foi a era de ouro de criminosos como Dillinger, Alvin Karpis, Bonnie e Clyde, Ma Baker entre outros. Dinheiro, vingança, passionais, não interessava o motivo, a cada instante ocorria mais um crime. O cinema já estava explorando esse filão com atores que marcaram época tais como: Peter Lorre, Humphrey Bogart, James Cagney, Edward G. Robinson, etc.. estes eram figuras marcadas nos filmes policiais tanto no papel de detetives quanto de gangsters. Com material tão farto correndo pelas ruas e absorvido pela população não tardou para que as editoras explorassem esse filão. Diante do ritmo frenético que as coisas aconteciam e um público ansioso por novidades, as bancas foram invadidas pelos "pulps", pois a ordem era produção acima da qualidade, o objetivo era levar o "pulp" ao maior número possivel de leitores, com seu custo editorial bastante reduzido o preço de capa não passava de 20 centavos de dólar, mais barato impossível pois o público alvo era a população de baixa renda a cata de um entrerimento a altura do mundo em que ela vivia.

Somente contado os "pulps" o leitor tinha cerca de 250 títulos a sua escolha, cuja periodicidade variava entre semanal a bimestralmente. Mesmo com essa receita alguns títulos não passaram de uma única edição, outros tiveram vida curta, mas muitos atravessaram a década tornando seus editores ricos. Cada revista tinha em média 114 a 162 páginas com 6 histórias curtas e uma principal. Os temas variavam, nada era estranho ou fantástico demais, não haviam limites para a imaginação dos escritores que frequentemente fascinaram, assustaram, chocaram, emocionaram e surpreenderam toda uma geração.
Os "pulps" eram escritos por um enorme time de escritores profissionais, que travavam lutas diárias em suas máquinas de escrever para criarem centenas de personagens e milhares de histórias. Os heróis não possuíam atributos fantásticos como os de hoje, eram personagens mais reais, mais humanos, que levavam o limite do humanamente possível ao máximo, apesar dos eventuais exageros de alguns escritores.
O "dream team" dos personagens dos "pulps" sem sombra de dúvida foram: O Sombra, O Aranha, Doc Savage, Tarzan, G-8, O Detetive Fantasma e Fu Manchu, pois estes além de serem sucesso em sua época, atravessaram os anos em livros, quadrinhos e cinema, fossem como adaptações dos mesmos ou como influência na criação de outros heróis.

DOC SAVAGE - Criado por Lester Dent (que assinava sob o pseudônimo de Kenneth Roberson) para a editora Street & Smith, teve sua estréia em março de 1933 nas páginas de sua própria revista: Doc Savage Magazine com a história " O homem de bronze", título este que acabou sendo incorporado ao nome do personagem nas edições seguintes.
Trilhando os mesmos caminhos que seu pai, morto em circunstâncias misteriosas. Nenhum desafio era grande demais para ele, Savage falava qualquer língua deste planeta, sabia manejar qualquer arma e pilotar qualquer máquina, possuia conhecimentos avançados em física, química, biologia e mecânica, tinha uma resistência física excepcional, e graças a uma dieta especial seu corpo envelhecia lentamente, e periodicamente ele se isolava na Fortaleza da Solidão (alguem lembrou do super-homem?), sua base secreta localizada no Ártico, de onde planejava sua próxima empreitada, o mundo era seu lugar comum.

O SOMBRA O personagem de maior sucesso dos pulps surgiu em fevereiro de 1929 nas páginas de Fame and Fortune que tratava de temas ligados ao mundo das finanças e grandes capitais. Então seus editores encomedaram a George C. Jenks um personagem que fosse o protetor dos honestos investidores, que fosse misterioso e ousado. Então sob o pseudônimo de Frank S. Lawton, Jenks escreveu The Shadow of Wall Street, e quando tudo ia bem, veio a queda da bolsa de valores e consquentemente seu novo protetor.
Mas os editores da Street & Smith tinham um programa no rádio e aproveitando o personagem, o levaram aos lares americanos com suas histórias cheias de mistério e suspense, o narrador era o jovem Orson Wells. E a gargalhada sinistra do personagem arrepiava homens e mulheres tornando-o também anunciante das novidades da revista Detective Story Magazine, e o sucesso foi tão grande que foi lançado um concurso com o polpudo prêmio de 500 dólares a quem descobrisse a identidade do Sombra, até que no ano de 1933 chegou às bancas "The Shadow Magazine" como publicação trimestral, mas a rapidez das vendas e o sucesso do personagem impulsionaram duas revistas mensais. Além do rádio e pulps, assim como Doc Savage, O Sombra foi adaptado ao cinema e aos quadrinhos, tendo também no Brasil seu programa de rádio.

O DETETIVE FANTASMA Criação de G. Wayma Jobes que escreveu as nove primeiras histórias passando o bastão para Robert Wallace, o Detetive Fantasma era um playboy milionário que após vencer um desafio feito por um amigo para investigar junto a polícia um crime insolúvel, percebe seu dom para desvendar os inúmeros casos que assolavam New York. Para cada vez que era solicitado, uma luz vermelha se acendida no topo de um edifício (prelúdio do bat sinal?). Sua especialidade eram os disfarces criando um personagem novo para cada caso investigado, após 170 edições, o Detetive Fantasma desapareceu das bancas no ano de 1953.

O ARANHA Foi o maior rival do Sombra em termos de popularidade, misterioso, vingativo, justiceiro e implacável foram os atributos dados ao personagem em 1933 por seu criador: Reginald Thomas Maitland Scott que após 20 edições abandonou o título deixando que Grant Stockbridge pseudônimo de Norvell Page escrevesse as 116 histórias seguintes. Para o Aranha rebilitação e perdão se resumiam a uma bala entre os olhos do criminoso, sempre! A morte era certa para aquele que caísse em sua teia. Outro diferencial de suas histórias eram seu antagonistas, o Aranha se dedicava às grandes quadrilhas em aventuras como "O Reino do Terror Prateado", "O Imperador da Morte", "Escravos do Monarca Negro", "O Governante do Inferno". Em 1938 a Columbia Pictures o levou aos cinemas sob a forma de seriado, em uma produção razoavelmente fiel. A teia da justiça do Aranha se encerrou em 1943.

FU MANCHU Era o vilão que todo herói não gostaria de ter, criado em 1912 por Arthur Sarsfield Ward ou simplesmente Sax Rohmer, em histórias cruéis onde invariavelmente obtinha seu sucesso, Fu Manchu teve sua glória maior na editora Marvel comics, longe dos pulps mas nas páginas de Master of Kung Fu como o pai do herói Shang Chi tornando-se seu maior inimigo.

G-8 AND HIS BATTLE ACES Aviadores pilotando antiquíssimos biplanos enfrentando alemães, monstros, vampiros, espiões, robôs e até mesmo os fantásticos Raios da Morte. O piloto espião G-8 foi fruto da mente de seu criador, um ex aviador chamado Robert Jasper Hogan, com 110 edições publicadas entre as décadas de 30 e 40, foi o personagem que mais gerou plágio no mundo dos pulps.

Um fato curioso a respeito dos pulps era a ausência dos crossovers, todos os personagens habitavam a mesma cidade e nenhuma editora lampejou a idéia de um encontro entre eles devido a concorrência acirrada entre as mesmas.
Assim vemos que muitos dos conceitos de personagens que temos hoje são herança destes e de outros heróis que apesar dos anos não se perderam no tempo.

Consulta bibliográfica:
- Patota #13, 14, 15 e 18 - editora Artenova
- Planetary / The Authority # 02 Pandora Books
- O Mundo Perdido #01 Gian Danton - www.nonaarte.com.br
  • postado Nikki Nixon às 12:26 AM